{"id":13,"date":"2024-10-29T10:09:10","date_gmt":"2024-10-29T10:09:10","guid":{"rendered":"https:\/\/jf-santanadaserra.pt\/?page_id=13"},"modified":"2024-12-16T18:16:24","modified_gmt":"2024-12-16T18:16:24","slug":"historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jf-santanadaserra.pt\/?page_id=13","title":{"rendered":"Resenha hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resenha hist\u00f3rica da freguesia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O povoamento na freguesia de Santana da Serra remonta a tempos muito long\u00ednquos. Segundo investigadores os primeiros povoadores da nossa regi\u00e3o, instalaram-se, provavelmente, num per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o do Neol\u00edtico para o Calcol\u00edtico, da Idade da Pedra para a Idade dos Metais, ou seja, h\u00e1 milhares de anos antes de Cristo.<br><br>O per\u00edodo Neol\u00edtico corresponde ao per\u00edodo da pedra polida. O homem primitivo deixa de ter uma vida n\u00f3mada tornando-se cada vez mais sedent\u00e1rio, baseando o seu sustento n\u00e3o s\u00f3 apenas na ca\u00e7a, pesca e colheita de frutos, mas sobretudo na agricultura e na cria\u00e7\u00e3o de gado. O per\u00edodo Calcol\u00edtico corresponde ao per\u00edodo em que o homem \u00e9 sedent\u00e1rio, dedica-se \u00e0 agricultura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado e utiliza armas e utens\u00edlios fabricados em cobre. Assim, com a fixa\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 terra se teriam formado as primeiras tribos ou cl\u00e3s, na nossa freguesia.<br><br>\u00c9 referido no livro \u201cContribui\u00e7\u00f5es para o conhecimento dos povoados Calcol\u00edticos do Baixo Alentejo e Algarve\u201d, o Povoado do Cortadouro, situado na margem esquerda do Barranco das Lages, afluente do Rio Mira, aproximadamente a 250 metros para NNE do Monte Novo das Lajes, como uma jazida de povoado Calcol\u00edtico. Mais tarde, j\u00e1 na Idade do Ferro, per\u00edodo que corresponde \u00e0 \u00faltima etapa da Idade dos Metais e ao in\u00edcio das civiliza\u00e7\u00f5es, \u00e9 referenciada a Necr\u00f3pole do P\u00eago, que ocupava um pequeno cabe\u00e7o formado por um afloramento de xisto, de orienta\u00e7\u00e3o NW-SE, a cerca de 700 metros, para E-SE, do monte do P\u00eago e a una 1500 metros da Portela do Lobo. Uma necr\u00f3pole de incinera\u00e7\u00e3o da Idade do Ferro, na qual apareceu grande quantidade de cer\u00e2mica \u00e0 superf\u00edcie, assim como metais, algumas contas de vidro, fragmentos de fechos de cintur\u00e3o e pe\u00e7as epigr\u00e1ficas. Foram v\u00e1rios os objectos recolhidos na Necr\u00f3pole do P\u00eago, testemunhando a presen\u00e7a de antigos povos, sendo um contributo valioso na interpreta\u00e7\u00e3o do nosso passado Hist\u00f3rico. Constru\u00eddo mais recentemente, na \u00e9poca \u00e1rabe, \u201cO Achado do Azinhal\u201d \u00e9 citado por Abel Viana como sendo uma estrutura designada de \u201cCastelinhos ou Castelejos\u201d, que se situava a uma certa dist\u00e2ncia do Castro da Cola. A muralha ou cercado partia do pego da l\u00e3, subia ao alto, pela encosta, seguindo pela encumeada sobranceira at\u00e9 fechar o cerco, junto \u00e0 margem a meio do extenso pego dos sa\u00ed\u00e7os.<br><br>No Invent\u00e1rio do IPA (Instituto Portugu\u00eas de Arqueologia) s\u00e3o referenciados estes tr\u00eas lugares arqueol\u00f3gicos, situados na nossa freguesia: Cortadouro, P\u00eago e Azinhal.<br><br>Segundo Am\u00e9rico Costa, no seu Dicion\u00e1rio Corogr\u00e1fico, nalguns lugares da freguesia, nomeadamente Corte de Alva, Cortes Pereiras e Corte da Telha, foram descobertos alguns vest\u00edgios de castros lusitanos de povoamento, que mais tarde foram aproveitados pelos romanos, servindo de prote\u00e7\u00e3o a uma col\u00f3nia militar de em\u00e9ritas (pessoas ilustres).<br><br>Na nossa regi\u00e3o serrenha criou-se e desenvolveu-se uma riqu\u00edssima cultura ligada ao pastoreio. Ainda hoje encontramos preciosos arca\u00edsmos no artesanato e na tecelagem, que obedecem a uma gram\u00e1tica ornamental que se filia nos padr\u00f5es decorativos do mundo isl\u00e2mico, e que se encontra nalgumas das cer\u00e2micas encontradas no Castro de Nossa Senhora da Cola, podendo concluir que a nossa freguesia teve uma import\u00e2ncia consider\u00e1vel na \u00e9poca \u00e1rabe.<br><br>Durante s\u00e9culos e s\u00e9culos a nossa regi\u00e3o pertenceu, primeiro a um qualquer senhor, eclesi\u00e1stico, ou n\u00e3o, depois a uma par\u00f3quia, o que vale dizer, a uma pequena comunidade de vizinhos. A nossa freguesia era perten\u00e7a da nobreza, mais tarde do clero, ou seja, da Ordem de Santiago, cujo capel\u00e3o era um freire professo da dita ordem, sendo o respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o e defesa da regi\u00e3o, das investidas \u00e1rabes. Com esse fim, no ano de 1290, o rei D. Dinis doara a vila de Ourique \u00e0quela ordem religiosa.<br><br>A nossa freguesia, como j\u00e1 dissemos, em tempos mais recentes, pertencia \u00e0 Ordem de Santiago, dependendo da Diocese de Beja, cujo Bispo, ou outro respons\u00e1vel eclesi\u00e1stico, aparecia de vez em quando, em \u201cvisita\u00e7\u00e3o\u201d.<br><br>Numa dessa \u201cvisita\u00e7\u00e3o\u201d, do Bispo, ou de outro respons\u00e1vel, datada de 1511 e com o n\u00ba 183, a aldeia de Santa Ana ainda n\u00e3o foi referenciada. Na \u201cvisita\u00e7\u00e3o\u201d seguinte, datada de 1533 e com o n\u00ba 245, a nossa aldeia j\u00e1 aparece mencionada como Santa Anna, concluindo-se que foi fundada na altura em que foi constru\u00edda a remida, ou seja, no ano de 1515.<br><br>Mais tarde, no ano de 1653, conforme testemunhos escritos, a nossa aldeia com o composto \u201cda serra\u201dj\u00e1 existia, ou seja, como Santa Anna da Serra.<br><br>Nalguns documentos existentes, na nossa aldeia, constatamos&nbsp; a exist\u00eancia de alguns montes da freguesia j\u00e1 no s\u00e9culo XVII (1670), como o Monte do Rio Tortilho e no s\u00e9culo XVIII, no ano de 1748, s\u00e3o citados os montes do Vale Poldres, Fitos, Rio Torto e Pipa, mais tarde em 1753 s\u00e3o mencionados os montes do Albricoque, Lajes e Sismalhas, e no ano de 1769, s\u00e3o referidos os montes do Tacanho, das Taipas, do Sambro, do Pero Guass\u00e3o, da Lebrinha, do Carapetal de Cima, onde \u00e9 apresentado como herdade do Carapetal.<br><br>Mais tarde, mas ainda no s\u00e9culo XVIII (1789), s\u00e3o referenciados os montesde: Serro Velho, Azinheiras, Retorta, Pomba, Casa Nova, Monte Branco, Parreiras, Lebre, Guilherme, Albardas e Eiras Velhas.<br><br>Na \u201cvisita\u00e7\u00e3o\u201d n\u00ba 141, de 24 de julho de 1758, \u00e9 referida a exist\u00eancia de duas aldeias na nossa freguesia, a aldeia da Igreja com 25 \u201cvizinhos\u201d e a aldeia do Estieisro (Estieiro) tendo 6 \u201cvizinhos\u201d. Nessa \u201cvisita\u00e7\u00e3o a freguesia tinha 336 \u201cvizinhos\u201d, com 952 pessoas de comunh\u00e3o e 366 menores.<br><br>A nossa freguesia nem sempre pertenceu \u00e0 comarca de Ourique, no ano de 1772 passou para a comarca de Almod\u00f4var, tendo passado definitivamente para Ourique em 1865.<br><br>Apesar de conclu\u00edda com a Conven\u00e7\u00e3o de \u00c9vora Monte a guerra civil em Portugal, datada de 1832-1834, guerra entre os liberais (D. Pedro IV) e os absolutistas (D. Miguel), iria permanecer acesa durante mais alguns anos, particularmente no sul do pa\u00eds de 1836 a 1840. E seria a serra de Santana a servir, durante algum tempo, principalmente no ano de 1836, de abrigo ao comandante guerrilheiro Jos\u00e9 Joaquim de Sousa Reis, vulgarmente conhecido pelo Remexido. Defensor do absolutismo, nestas serras, pouco acess\u00edveis, se acoitava e saqueava os lavradores para manter os seus homens, tendo espalhado o medo e a viol\u00eancia por toda a freguesia. Foram anos dif\u00edceis para a nossa freguesia, os habitantes receosos dos saques escondiam o dinheiro e os outros haveres.<br><br>Antes da Implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica era a Igreja, a Par\u00f3quia- a menor unidade em que se encontra repartida a administra\u00e7\u00e3o da Igreja, quem mais e melhor contribu\u00eda para a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade na nossa regi\u00e3o. A sacristia da Igreja Paroquial era utilizada como casa para as sess\u00f5es da Junta da Par\u00f3quia de Santana da Serra.<br><br>A nossa igreja, ou capela, que normalmente aparecia como centro religioso, era tamb\u00e9m um centro civil, pois nela eram baptizados os seres que nasciam, eram sancionados os casamentos e registadas as mortes.<br><br>A partir de 1911 nota-se o efeito da quebra no poder da Igreja, cedendo o seu poder \u00e0 freguesia_ a menor divis\u00e3o territorial existente na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<br><br>A palavra freguesia prov\u00e9m, por conclus\u00e3o, do termo \u201cfregueses\u201d, pessoas que habitavam um determinado espa\u00e7o geogr\u00e1fico, mais tarde delimitado oficialmente para efeitos de administra\u00e7\u00e3o religiosa ou secular: Os \u201cfregueses\u201d eram os fundadores de uma igreja, ou algumas pessoas a quem eram concedidos direitos de car\u00e1cter heredit\u00e1rio de posse dos diversos benef\u00edcios eclesi\u00e1sticos e\/ou civis.<br><br>Anos depois, ap\u00f3s a Implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o voc\u00e1bulo Freguesia passou a ser oficializado e assim a representa\u00e7\u00e3o administrativa na nossa regi\u00e3o, deixou de ser denominada Junta de Par\u00f3quia, passando a chamar-se Junta de Freguesia, ficando a chamar-se como \u00e9 atualmente- Freguesia de Santana da Serra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Autor: Junta de Freguesia de Santana da Serra 2005<br>Livro: Santana da Serra Passado e Presente<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha hist\u00f3rica da freguesia O povoamento na freguesia de Santana da Serra remonta a tempos muito long\u00ednquos. 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